25 de ago. de 2008

::LINKS & SUGESTÕES::

* POESIAS E PENSAMENTOS em www.asiloarcana.blogspot.com * MÚSICAS com www.sopedrada.blogspot.com * LIVROS na www.estantevirtual.com.br * \\\BOA VIAGEM!!!

O FIM DA METALINGUAGEM (?)

O FIM DA METALINGUAGEM?

O FIM DO MEL DA LINGUAGEM?

O FIM DA META?

O FIM DA LINGUAGEM?

*

O QUE QUERES DIZER? NO QUE ACREDITAR?

MEL FAZ MAL PRA SAÚDE???

E O QUE MAIS FAZ BEM?

O QUE MAIS É ZEN?

QUEM FAZ MAIS? QUEM BEM FAZ?

O QUE NOS CONTAM DE NOVO?

*

HÁ CIÊNCIA NA CARICATURA DO MUNDO

HÁ CIÊNCIA NOS ENTES LATENTES

NOS SIGNOS, NAS SERPENTES

FERRAMENTAS, SEMENTES

VETORES

EXISTENTES DE UM ETERNO RECOMEÇAR

*

E NO FIM DA METALINGUAGEM:

- O QUE FAZES, ENTÃO, COM ESSES LÁBIOS DE MEL?

- NÃO MAIS DEVO USÁ-LOS?!

- NÃO DEVES, NÃO. FOI PROIBIDO PELO FANTÁSTICO!

O FANTÁSTICO ABSURDO DE UM NADA SABER

DE UM NADA ESTAR QUERENDO O MUNDO

DE UM NADA DE MEL

E MAIS NADA DE MEU

*

SÓ EU E A MINHA LINGUAGEM

SOU EU TÁ METÁ TÁ PHYSICÁ

SEM POESIA

SEM ALEGRIA

SEM MINHA METALINGUAGEM

SEM CARRUAGEM

SEM O FIM

SEM MIRAGEM

SEM PASSAGEM

(produção pós-notícia sobre os perigos do mel para crianças com menos de 1 ano)

19 de ago. de 2008

ÉTICA E SUBJETIVIDADE

Chegando a casa o filho se dirigiu ao pai: - Estava hoje em uma condução lotada quando um idoso, visivelmente cansado, embarcou num dos pontos. Ao entrar olhou para os lados e, não tendo aonde sentar, encostou-se na porta para seguir viagem. – Mas ninguém cedeu lugar, filho?, perguntou o pai. – Não. Num primeiro momento os passageiros se entreolharam, mas ninguém cedeu lugar. Foi quando percebi que todos ao meu redor me fitavam de esguelha como se esperassem uma atitude minha. Não suportando todos aqueles olhares, levantei-me para, então, ceder lugar ao senhor. O pai, passando as mãos na cabeça do filho, abriu um largo sorriso e disse: - Filho, não foram os outros olhares que te incomodaram, mas os de tua própria consciência.

18 de ago. de 2008

A ESTÉTICA DO OCIDENTE

Em tempos de Olimpíada, além dos limites físicos do Homem, também são batidos recordes de estupidez e falta de senso crítico da nossa espécie. Como já se sabe, durante a cerimônia de abertura dos Jogos de Pequim, a cantora Yang Paiyi (à esquerda) foi considerada “feia” pelos organizadores do evento, que acabaram optando pela dublagem da fofinha Lin Miaoke (por eliminação, a da direita). A imprensa brasileira, seguindo a tendência dos demais veículos ocidentais, reverberou o caso com um tom de inconformismo ímpar. Críticas bombásticas, leitores inconformados, mensagens de apoio à Paiyi (que também é "cute-cute"), brotaram nos sites, nas colunas e nos noticiários da TV. A repercussão da notícia parece configurar um quadro propício à construção de uma Teoria do Absurdo. Um absurdo que cotidianamente nos mostra suas variadas facetas. Um absurdo que acaba por nos exigir uma postura questionadora, mas, sobretudo, perspicaz.

Nesse caso, surgem as seguintes questões:

1 – Qual é a indústria responsável pela padronização estética da beleza no mundo?

2 – Vislumbrando o contínuo processo da abertura econômica e cultural, não teriam os chineses apenas agido segundo a linha de raciocínio do complexo midiático ocidental?

3 – Não teria sido o fato um desdobramento natural da leitura das informações, das premissas e dos valores, banalmente propagados pela “Indústria Cultural do Oeste”?

4 – Não seria Lin a versão pop da Yang?

5 - Não estamos acostumados a digerir astros da música internacional que corriqueiramente se utilizam do playback em suas apresentações pelo globo?

6 – Qual a novidade do assunto?

Creio que as respostas, se não parecem tão óbvias, num exercício intelectual mais profundo, certamente hão de surgir.

“Quando Prometeu fez o homem, deu-lhe dois sacos para carregar: um com os defeitos alheios, o outro com os defeitos próprios. Os homens levam o primeiro na frente e o segundo atrás. Eis por que sempre estamos prontos a ver os defeitos dos outros, mas nunca percebemos os nossos” (Os Dois Sacos - Fábulas de Esopo)

EXATIDÃO EM PERCEPÇÃO

A MENTE TEM VÁRIOS MODOS DE SER EXATA... EXATA-MENTE!

11 de ago. de 2008

"Independente do motivo para um país devastado, deveríamos poupar aquelas construções que fazem honra à sociedade humana e não contribuem para a força do inimigo - como templo, tûmulos, prédios públicos e todas as obras de beleza notável (...) privá-los de modo brutal dessas maravilhas da arte é nos declararmos inimigos da humanidade" (Emmerich de Vattel, The Law of Nations, 1758)

11 de jan. de 2008

SAÚDE, MENTE E AÇÃO!

Foi pensando em você, leitor, que resolvi escrever esse texto-desabafo. E, antes que se manifeste, aviso: sei que o que é bom para mim, pode não ser bom para ti. Estou de acordo. No entanto, munido da melhor das intenções, com o espírito imbuído de carinho e consideração pela minha própria história de vida (e pela própria História da Vida) que resolvi modular essa sugestão.


A nossa geração, a sociedade contemporânea, tem em mãos, via o advento da tecnologia da informação, talvez de forma inédita na história conhecida, a oportunidade de ouvir novas versões para velhas histórias. Essas histórias estão diretamente relacionadas com o modo como vivemos, encaramos e interpretamos o mundo. Essas histórias constituem a Versão Ocidental da História. E, com a constatação dessa oportunidade, temos a possibilidade de construir (ou desconstruir ou reconstruir) a História da Humanidade. E assim como não há razão para temer o novo, também não há razão para acreditar sem viver.

O que é História? O que é Responsabilidade? O que é Ser? O que é Controle? O que é Liberdade? Ao longo dos tempos, filósofos de renome investiram suor e talento na tentativa de responder tais questões. Muitos esboçaram modelos coerentes e críticas sublimes. Foram publicados livros e mais livros abordando esses temas. Seja Foucault com a "Sociedade Disciplinar", seja Deleuze com a "Sociedade de Controle", seja Debord com a "Sociedade do Espetáculo", o fato é que muitos autores nos apontam importantes caminhos para tentar compreender as relações humanas e, mais especificamente, a Existência.

Por isso, lhe faço a seguinte proposta: ao invés de assistir ao BBB 8, assista ao documentário "Zeitgeist – The Movie" (link segue abaixo). Trata-se de uma produção norte-americana que significa, literalmente, o "Espírito do Tempo". Esse foi um presente que chegou até mim. Esse é meu presente a você. Dispa-se de seus pré-conceitos. Assista ao documentário com um mínimo de doação.

Cada minuto sem olhar pra telinha é uma vitória da realidade sobre a ficção (não a ficção enquanto gênero artístico, mas enquanto primado da fetichização e da banalização da vida). Cada segundo sem saber das proezas dos "Heróis do BBB" é uma vitória da sua qualidade de vida. Cada episódio não assistido é um ato de contemplação. E amor.

Caso não consiga visualizar, leia um livro, ouça um disco, escreva uma carta a um amigo querido. A idéia aqui é somente não fortalecer um programa de qualidade duvidosa, que realiza um trabalho, igualmente duvidoso, com as nossas mentes, com o discurso de que o ideal é entreter, é relaxar. Vale ressaltar que o modelo da TV brasileira é o mesmo da TV americana (entretenimento) e que o mesmo, por sua vez, é diferente dos modelos francês e inglês, onde a preocupação com o diálogo e a pesquisa é prioridade. "Mas Loscar... eu gosto de assistir exatamente por isso! Pra relaxar a mente!". Meu querido, com toda humildade: se queres realmente relaxar sua mente, feche seus olhos, tape seus ouvidos, exista em silêncio... Medite! Ali, certamente, vais encontrar um verdadeiro conforto. Uma verdadeira fonte de energia.

Acredito que é necessária a reflexão. Pense em minha proposta. Reflita. Não custa nada. Não peço aqui dinheiro, não peço presentes, não peço o seu voto. Peço apenas um pouco da sua atenção. Refletir é também Agir.

É isso. Se gostar da idéia, repasse aos seus.
O melhor abraço do Loscar, o Carlos Affonso
"A literatura é a coisa mais bela do mundo. Talvez, mais bela que o mundo" (Jacques Derrida)
"Todas as guerras são fictícias; exceto para as partes que corpo-a-corpo irão se encontrar" (Ivo Lucchesi)

9 de mar. de 2007

VÊNUS, PARNASO E AS MUSAS

Mulher,
Metade inteira da existência amena
Sintonia sutil, beleza plena
Com sorrisos mil ilumina rostos, realiza encantos,
Germina alegrias, por vezes prantos
Corações desavisados são alvejados em segundos
O petardo que é lançado constrói sonhos, destrói mundos...
*
Mulher,
Mãe, filha, querida amiga
Amante lancinante nas curvas da vida
Deságua um saber e um bem-querer singulares
Contempla fogo, água, a terra, os ares
"Flor-e-sendo" nos cantos são várias as flores
São ruivas, morenas, robustas, pequenas
Talismãs cintilantes da presença divina
São nossos amores, são nossas meninas...
*
Mulher,
Que não só tem um dia, mas o ano inteiro
Do início dos tempos, de janeiro a janeiro
E são merecedoras de nossa emoção
De nossas homenagens, dos brindes de fim de tarde,
Das coisas do coração...
*
E finalizo aqui essa prece velada
Com todo respeito à paixão declarada
Do passado ao presente, às que vem pela frente
Às que nunca se foram e nem vão me deixar
Poetisas, guerreiras, na volta e na ida
Às mulheres lindas da minha vida.

28 de fev. de 2007

SANCHEZ: O CAPITÃO E O MAR

SOU SANCHEZ, CAPITÃO DA FRAGATA EUTÍFRON. É GRANDE; CERCA 1 MIL E 700 TONELADAS, 36 CANHÕES. ANTES DE ESTAR SOB MEU COMANDO, EUTÍFRON HAVIA SIDO UMA ARMA DE GUERRA NAS MÃOS CALEJADAS DE MEU VELHO PAI, DOM GALEANO. APÓS SUA MORTE, RETIREI QUASE TODO O ARMAMENTO, REFORMEI A EMBARCAÇÃO E SOU EXPLORADOR. DO ALTO DO NAVIO AVISTO TUDO. TUDO ME VÊ E ACENA. NADA PODE DAR ERRADO. ESTAMOS EU E ELA EMPARELHADOS. TODOS OS LADOS. COMPASSO POR COMPASSO.
EM CADA CANTO O OCEANO ENCANTA. ENCONTRA SUA METADE NUM CÉU PROFUNDO QUE MISTURA AZUL E BELEZA. SÃO RAIOS DE LUZ DA CERTEZA, LUZ DA MAIS ALTA REALEZA. O SOL QUE PROJETA VIDA NO CÉU, NOS MARES. NOS CAMPOS QUE A TANTO TEMPO NÃO VEJO. NOS CABELOS DE MINHA AMADA QUE ME RECORDAM O DESEJO. NOS RISOS DAS CRIANÇAS DA ALDEIA. NA VIDA ALHEIA. NO CANTO MORTAL DAS SEREIAS. OS RAIOS DE LUZ DA CERTEZA. LUZ DA MAIS ALTA REALEZA...
CERRO OS OLHOS. E O SOL A ME BANHAR O ROSTO. NUM MOMENTO TRANQUILO, ESQUEÇO O NAVIO, A SAUDADE, QUALQUER DESGOSTO. ESTOU CANSADO. LEVAR A VIDA NUM NAVIO É DIFICIL TRABALHO. MAS O MAR ME AMA. EU AMO O MAR. VAI SER ASSIM ATÉ MEU CORPO CANSAR. E MESMO NA CAMA, QUANDO NÃO PUDER MAIS LEVANTAR, AS NEREIDAS VIRÃO ME BUSCAR. PORÉM, SEI QUE NÃO É HORA. HÁ MUITO TRABALHO A FAZER. MUITAS LÉGUAS A PERCORRER.
AO NORTE, UMA TEMPESTADE SE APROXIMA. NINGUÉM MAIS PASSA. APENAS SE SOUBER NAVERGAR EM MEIO AO TURBILHÃO. ÁGUAS PODEROSAS. EM OUTROS TEMPOS ME ARRISCARIA, MAS AGORA NÃO. PREFIRO BAIXAR ÂNCORAS E AGUARDAR. A TEMPESTADE DEVE SE DESLOCAR PELA NOSSA DIREITA E CONTINUAR EM DIREÇÃO AO PORTO DE QUEBAR. ATÉ LÁ SÃO QUASE 100 MILHAS MARÍTIMAS; POUCO MAIS DE 180 QUILOMETROS. FAZ 2 ANOS QUE NÃO PASSO POR LÁ. QUEBAR. A ROTA SE TORNOU PERIGOSA. NOS ÚLTIMOS MESES, TENHO OUVIDO, MAIS DE 200 EMBARCAÇÕES SAQUEADAS. NA MAIORIA DAS VEZES A TRIPULAÇÃO É MORTA. ÁGUAS PERIGOSAS...
E CERTA VEZ QUASE FOMOS SURPREENDIDOS, MAS DO ALTO DO NAVIO AVISTO TUDO. TUDO ME VÊ E ACENA. E EUTÍFRON É VELOZ. EUTÍFRON É GUERREIRA. E A TEMPESTADE TAMBÉM É. MUDA SUA ROTA EM NOSSA DIREÇÃO. QUEBAR ESTÁ LIVRE. NÓS PRESOS. SE MEU DESTINO E O DA VELHA FRAGATA É O DE MAIS UMA BATALHA, ENTÃO QUE O SEJA. O VENTO VETA O VÔO DAS AVES QUE TENTAM VENCER O SOPRO DOS CÉUS. IÇAR ÂNCORAS. É HORA DE LUTAR...

(trecho de "Sanchez: O Capitão e O Mar" por Loscar / imagem por Alexandre Aranha)

24 de jan. de 2007

>> SQN215BSB <<

Há nuvens de outros tempos no céu estrelado de hoje, agora
Há nuvens e estrelas que contam vidas
em outros bairros em outras memórias
E as estrelas refletem risos
e como momentos marcam o choro na história
Mas as nuvens trazem o vento,
que se chega descontento;
irritado quando é o Tempo;
leva as estrelas embora.
*
Volta choro, volta riso, de memórias, das estórias
e o Tempo sabe quando trazer as nuvens
O Senhor Tempo sabe bem quando trazer as histórias
*
Que desenterre do fundo de um tormento
que seja aflito ao momento em que toca
Mas que mostre música e alforria
das misérias,
das mazelas de um cotidiano idiota
*
Que traga estrelas num mar de céu pra velejar
nas correntes do pensamento
o que me move ao tempo
é a vontade do ESTAR,
pois sempre vão existir também as nuvens,
que o vento estrela até uma alvorada qualquer chegar...

23 de dez. de 2006

::TESTEMUNHA OCULAR::

OLHEI PRO CÉU,
VI PÁSSAROS A VOAR,
ANTES QUE O SOL SE PONHA PROCURANDO O LUGAR...
ASAS ABERTAS, HORIZONTE INFINITO
NUM CANTO DA MATA O LAR CULTIVAR.
OUÇO O CANTAR DAS AVES
NAS DENSAS NUVENS, NOS CONTRATEMPOS,
SÃO SUBLIMES ORNAMENTOS
E NEM MESMO O TEMPO PODE APAGAR.
NÃO HÁ TRISTEZA NO AR...
SÓ HÁ VESTÍGIOS DE VIDA,
DA RIQUEZA DA ALMA,
DA NATUREZA GARRIDA.
E DAQUI QUERO LEVAR IMPRESSÕES,
POIS DE UMA FORMA OU DE OUTRA
ERA EU QUEM QUERIA ESTAR LÁ;
NO CÉU A VOAR...
MAS ME BASTAVA OLHAR...
"TESTEMUNHA OCULAR"
(imagem: KRSNA ART)

16 de dez. de 2006

Depois dos aguilhões vieram as tumbas e os sarcófagos

Até o padre que amava o Papa, em segredo, revelou-se um desconhecido em meio à multidão. Por dentre as várias teias, escorregava pra dentro do Tempo e assimilava pouco, devido ao grande turbilhão, o que lhe era passado. E foi naquele presente absoluto que o futuro não mais se sucedeu...
Estagnado. O corpo petrificado. A alma como se tivesse sido suja por um decante ou um lapso de visão. Não acreditava no que o momento e o tear do Tempo traziam em nós atados; idolatria e decepção.
O Mundo agora está fadado ao limiar da Santa Ceia? O veneno que jorra do ventre da Terra - a Mãe e a Guerra - não nos reserva mais o futuro e a ambição? Os novos rumos e velhos erros não serão novamente cometidos?
De tudo que se sabe hoje é legado. De certo ou errado, tentado no passado. E o caminhante disso sabia e, quando se defrontou com seu destino, resignado, partiu dessa pra uma melhor.
Não foi nem suicídio, eutanásia e muito menos o veneno do aguilhão.
Foi seu poder de se encaixar à época...
(agradecimentos a Alessandro Rochinha)

9 de dez. de 2006

Os Aguilhões

OS AGUILHÕES
Grito de dor a plenos pulmões!
“Cérebro entrecortado; acordo e durmo parado.”
Me suga a energia com o poder da TV
Monopoliza mente, corpo, alma, o ser
Me ensina a fazer, ensina a aprender
Me faz vegetal, me ensina a querer
Regra minha trilha! Ó Mestra da Ilusão
Que pouco a pouco as horas vão
*
“Cérebro pasteurizando; acordo e durmo babando.”
Me faz imbecil, sem eu saber
Me engana que eu gosto, faz perceber
Se mostra pra mim como único meio de comunicação
Já quase perdido, me espeta o aguilhão!
E injeta veneno nas minhas veias
Me amarra travado nas tuas teias
Regra garrida; minha vida insana
Minha vida insensata, vida mundana
Minha vida prostrada, minha vida parida
Minha vida inventada, vida vivida
*
“Cérebro sucateado; acordo e durmo sentado.”
Me compassa o tempo, que eu compasso o pensamento
Me diz pra onde vai o vento, qual meu direcionamento?
Me surrupia por debaixo do pano
Me convence do erro, potencializa meu engano
Faz a flor parecer mais fria
A cor desaparecer dos cantos
Os cantos não mais terem rimas
As rimas perderem o pranto
Os prantos perecerem de dor
E a flor ficando mais fria
O dia perdendo energia
Os contos, o sabor
*
“Cérebro desintegrando; acordo e durmo babando.”
Me faz relutar, embaça meu ar
Me faz eu despir, pedir pra sair
Me fecha a janela e torce o cano
Deturpa o momento, me envolve no plano
Acorda os morcegos com a alta freqüência
E entedia os finais de semana
Dia após dia; eu gosto, me engana!
*
“Cérebro pulverizado; acordo e durmo pregado.”
Imaginário sublimado
Grito a plenos pulmões
“Filha da puta esses aguilhões!”

2 de dez. de 2006

HILOZOÍSMO*

LER NÃO É APENAS LER;
ENTENDER AS PALAVRAS NA ORDEM.
LER NÃO É APENAS RELER;
E DESFARZER UMA POSSÍVEL DESORDEM.
LER É FAZER CORRELAÇÕES,
LER É DISSECAR ENTRELINHAS,
É CONTAGIAR O PENSAMENTO
AO INFINITO CAMPO DO CONHECIMENTO...
LER É COLOCAR SENTIDO NAS COISAS,
É CRER QUE EXISTE VIDA NO VIRAR DA PÁGINA,
QUE EXISTE HISTÓRIA NO ABRIR DO LIVRO;
É PERMITIR DESFOCAR O OLHAR DO ÓBVIO...
LER É DESATAR NÓS DA FALTA DE ENTENDIMENTO,
É COMPASSAR TESÃO E O CARDÍACO BATIMENTO.
LER É SER NO MUNDO!
LER É SER DO MUNDO!
É FUNDAMENTO BÁSICO PARA A MANUTENÇÃO DAS CRENÇAS...
É NÃO SÓ INDAGAR SOBRE A EXISTÊNCIA,
MAS ENTENDER GRANDE PARTE DA ESSÊNCIA
DE QUE LER É REGER E REFORMATAR O PRÓPRIO TEMPO...
(*doutrina que atribui à matéria qualidades espirituais)

25 de nov. de 2006

O RESSONANTE

No calor dos 44 graus entrei na sala que refrigerava...
No barulho dos motores que faziam rodar a maquinaria, se fez o som...
Ruíam todas as paredes do ambiente...
Dos ventiladores brotava o nó que se dava no ar,...
e voar...
Das janelas latejavam vibrações...
e tais pulsações eram fartas
e tais pulsações eram vidas, queridas...
Alegre e tonal;
no compasso daquele gênero musical...
E viva Hermeto Pascoal!!!

18 de nov. de 2006

SEIN UND ZEIT*

POESIA QUE ENCONTRO NA ARTE
MUDA NA FORMA E NO JEITO D´EU CONT-ARTE
MOVIMENTOS SOBERANOS DA PALAVRA
ESCRITA ASSIMÉTRICA, DESENVOLTA E GALÁCTICA
*
LUZ, SOL, É O ABRAÇO DIVÍNO
DA MINHA PERCEPÇÃO EM QUE NASCE GENUÍNO
O ENTENDIMENTO DO MUNDO QUE ME COMPREENDE
COMO O MUNDO ME ENTENDE? O PENSAMENTO FLUINDO
*
JÁ NÃO TENTO MAIS SAIR POR AQUELA PORTA
E MINHA MENTE, POR SI SÓ ABORTA, UMA POSSÍVEL DECEPÇÃO
DE SAIR PELA PORTA E NÃO ENCONTRAR A VIDA TORTA
MAS PESSOAS NAS RUAS, CALÇADAS E O CHÃO
*
RESTA ENTÃO OLHAR PRO CÉU, FECHAR OS OLHOS E PRATICAR O VERSO
FAZER CONTATO TELEPÁTICO COM O MULTIVERSO
E PERCEBER QUE TODO DIA É DIA DE RENOVAR
TODO DIA A ORDEM É CATALISAR
TODO DIA É VIDA NOVA EM ALGUM LUGAR

*(Ser e Tempo - Martin Heidegger - 1927)

11 de nov. de 2006

*RE-UNIÃO*

ACORDEI COMO QUEM CLAMA
O CORPO FECHADO NA CAMA
UM DIA INTEIRO PRA TRILHAR DE SONHOS
A NOITE INTEIRA EU DORMI COM MONSTROS...
*
O TETO CAINDO ME FORÇANDO ACORDAR
O CHORO, A LEMBRANÇA; CALMA CRIANÇA...
UMA VIDA INTEIRA PRA AMAR,
FLORES E FAUNA PRA CUIDAR...
*
DEBRUÇADO NA JANELA VI QUE MEU CORPO CAMINHAVA
TACITURNO, SORUMBÁTICO, TARTAMUDEAVA,
COMO SE INDAGASSE A EXATA PALAVRA
QUE REVELARIA MEU DESTINO, MINHA CONDIÇÃO
MAS A SOLA DO PÉ NÃO TOCAVA O CHÃO!
SERIA UM ESBOÇO, UM INÍCIO DE LEVITAÇÃO?
GUARDAVA A CERTEZA NO PEITO;
SERIA EU CAPAZ DO FEITO OU ERA SOMENTE ILUSÃO?
NA FORMA CONCEBIDA E NA FORMA CONSTRUÍDA
POR DUAS OU TRÊS VEZES CHAMEI MEU NOME...
FELIZ DE QUEM OLHAVA
A CHUVA LAVAVA E O VENTO LEVAVA
MAS EU MESMO NÃO ME RESPONDI
E FOI PRECISO ABSTRAÇÃO PRA INTUIR
QUE NA JANELA O QUE HAVIA ERA MEU CORPO
E O QUE LÁ DE CIMA VIVIA, ERA MINHA ALMA...
(foto: Bernardo Varela)

4 de nov. de 2006

::SIGLA::

simbolismo dinâmico do entendimento
poesia e neologia cruas ao vento
ao tecido do pensamento...
à calibração da alma...
bato palma na veia
e a vertigem voa...
à saúde virgem
e ao tempo que não volta mais...

3 de nov. de 2006

PREÂMBULO

Lugares abertos pra muitas viagens
Viagens libertas pra muitos lugares
Lugares de cores e brisas queridas
Viagens no Rio já quase esquecidas
Lugares que chamam... Pessoas se amam...
Viagens que chegam... Pessoas se beijam...
Momentos rápidos e infinitos
Movimentos elásticos e desinibidos
Pessoas... lugares...
Viagens sem rumos...
Amigos e amantes
Vivências, semblantes...
Temperatura que sobe quando tu adentra
e o recinto em que me encontro já não mais alenta
Preciso expressar essa doidera...
Que seja ao meu jeito, da minha maneira...
E que seja feliz, uma vez que é vida
Que seja vivida em seu próprio tempo...
Que tenha freqüência e pensamento...
Pra que não sejam somente viagens...
Pra que não sejam somente lugares...
Mas pra que sejam pessoais e singulares...
Bem como o que sentimos...
Em diferentes ares, e diferentes mares...
Em diferentes viagens, e diferentes lugares...

CONTRA-SPIN

O sol a abrir suas asas... uma aura de vidas atrás...
o vento ventando por dentro do peito, ampliando as paixões...
lembro com tristeza do jeito com que a natureza tocava meus pés...
agora não resta nenhum dos Caetés...
foram todos levados a força pro novo mundo chegar
- os embrutecidos pelo tempo e pela falta de cores
traçaram cruéis o destino de um povo...
e mesmo com o passar dos anos,
a terra ainda sente a frieza com que se pisa o monte,
o pasto, a mata...
Mas o sol a raiar suas asas...
e o vento a ventar suas graças... ampliando as paixões...
deixando seus filhos mais altivos,
cantando à alma dos nativos, por toda parte corações...
no desabrochar das flores, no revoar dos pássaros,
nos dedos de uma criança, no riso que me lembra a infância,
nas pequenas canções...
E numa simples caminhada ao redor da magia a vida renasce...
sobrevivendo das pulsões de morte...
sobrepujando as lições de eternidade, da mente e do ser...
organizando o caos... o tenro, o terno, o volátil, o grão...
abrindo com toda minha poesia e o universo em minhas mãos...
E o músculo que pulsa ritmado me mantém acordado pra te ver chegar...
mas tu não chegas de verdade, pois já estavas comigo...
esse velho e nobre amigo...
esse que é irmão da dor...
o que morde e assopra...
o declarado Amor...